Menstruar ou não menstruar

Algumas mulheres decidem recorrer à amenorreia, interrompendo o fluxo menstrual

Para muitas mulheres, o período menstrual é uma época do mês que causa muito incômodo e irritação, pois, inúmeras vezes, vem acompanhado de dores, inchaço e até alergias. Além disso, dependendo da quantidade do fluxo menstrual, a mulher pode desenvolver doenças como a anemia.

Para tentar “solucionar” esse problema, alguns especialistas orientam suas pacientes a interromper o fluxo menstrual, fazendo com que os sintomas desse período amenizem ou cessem de vez.

De acordo com a ginecologista e obstetra Dra. Elisabeth Winter, a interrupção da menstruação, também conhecida como amenorreia, tem como principais benefícios o alívio de sintomas provenientes do ciclo menstrual, como cólicas intensas, mal-estar, transtornos do humor e controle de metrorragia (fluxo menstrual intenso).

“Além disso, os principais benefícios de se interromper a menstruação são diminuir a incidência de anemia, não apresentar tensão pré-menstrual e diminuir o incômodo do uso de absorventes, que podem causar alergias”, completa a ginecologista e obstetra Dra. Daniele Fiuza.

Segundo as especialistas, os principais motivos que levam as mulheres a interromper a menstruação são os incômodos que a menstruação causa, como o físico (dor, mal-estar e sangrando excessivo) ou até social. As queixas mais comuns são cólicas, assaduras por uso do absorvente, irritabilidade e depressão.

A intervenção para interromper o fluxo menstrual pode ser medicamentosa, através do uso de hormônios geralmente por via oral (pílulas anticoncepcionais) de uso contínuo (sem pausa tradicional entre as cartelas), ou através de cirurgia (em casos de miomatose ou até câncer), explica Winter.

“Há outra forma menos utilizada que é com uso do Siu Hormonal, que libera progesterona e pode permanecer por cinco anos”, acrescenta Fiuza.

Para as especialistas, a interrupção é contraindicada em casos de pacientes que não podem usar anticoncepcionais hormonais por risco de trombose venosa, antecedentes de câncer de mama, endométrio ou ovário, ou doença hepática. Toda medicação deve ser avaliada pelo médico que acompanha a paciente.

Além disso, a intervenção auxilia no tratamento de algumas doenças, como a anemia, a endometriose, sendo esta a primeira escolha dos profissionais no tratamento da doença e também nos casos de miomatose - quando o fluxo menstrual é grande, opta-se por interrompê-lo para não indicar cirurgia ou enquanto se aguarda por ela.

A servidora pública Rosilene Alves, de 37 anos, teve que interromper a sua menstruação há sete anos, depois de ser diagnosticada com dois miomas e um cisto em um dos ovários. Seu médico, então, orientou-a a tomar anticoncepcionais hormonais para cortar o fluxo menstrual, pois, segundo ele, o sangue menstrual favorece o desenvolvimento dos miomas.

“Desde a adolescência, sempre tive um fluxo muito intenso e longo. Cheguei a ficar internada, por contas das cólicas. Interromper a menstruação foi benéfico na minha vida, pois minhas cólicas diminuíram muito e nem todo período eu as sinto. Além disso, é muito cômodo não ter sangramentos mensais, como anteriormente”, admite.

No entanto, pelo fato de tomar a medicação de forma ininterrupta, Rosilene passou a sentir incômodos, como dores e inchaço nas pernas, causados pelo hormônio sintético.

“Um dos médicos foi categórico ao afirmar que o melhor para o meu caso é remover o útero, mas ainda estou avaliando essa possibilidade. O mais importante é a minha saúde e bem-estar”, finaliza.

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