Coletor menstrual - Dra. Daniele Fiuza

Cresce o número de mulheres que deixam de lado o absorvente e optam pelo coletor

Os absorventes descartáveis foram uma revolução na vida das mulheres. No entanto, nos últimos anos, a consciência ambiental e ecológica vem aumentando entre as usuárias desses produtos, e elas estão buscando alternativas ao uso de absorventes descartáveis de forma que diminuam a produção e o despejo de lixo no meio ambiente.

Segundo dados de 2015 da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), a produção de lixo sólido urbano no País subiu 1,7%, totalizando 79,9 milhões de toneladas por ano. Isso torna o Brasil o quarto maior gerador de resíduos do mundo.

Atualmente, já é possível encontrar no mercado algumas opções sustentáveis que podem substituir o absorvente descartável, tais como o coletor menstrual, a calcinha menstrual, os absorventes de pano e o absorvente orgânico. Segundo a ginecologista Cátia Barcelos, as mais populares entre as consumidoras, dentre estas alternativas, são o coletor menstrual, o famoso copinho, e a calcinha menstrual.

Muitas mulheres sofrem com quadro alérgico e alteração da flora vaginal devido ao uso de absorventes descartáveis, que pode ser causado pelo tempo de uso, pelo tipo de material ou fragrâncias com os quais eles são fabricados.

“O quadro alérgico pode ser causado pelo uso por muito dias. Isso pode favorecer o desenvolvimento de infecções vulvovaginais, como a candidíase, que aparece devido ao abafamento. Muitas pacientes chegam ao consultório com quadro alérgico, e o tratamento, normalmente, é feito com aplicação de pomada de uso local. O absorvente interno é mais prejudicial por ser capaz de promover a síndrome do choque tóxico, que pode ocorrer com uso por mais de 8h. Além disso, o absorvente interno favorece o aumento de infecção, pois o sangue é um meio de cultura. A pessoa que usa o absorvente interno com mais frequência sofre mais com a incidência de gardnerella e outras alterações que causam infecções, pois o fato de o sangue entrar em contato com o ar aumenta a proliferação de bactérias”, explica a ginecologista e obstetra Daniele Fiuza.

Por ser composto basicamente por algodão, o absorvente absorve a umidade vaginal, o que causa ressecamento e desconforto. O coletor menstrual é hipoalergênico e, por isso, uma excelente opção para as mulheres que possuem alguma alergia aos absorventes descartáveis convencionais, pois ele é feito de silicone medicinal.

“É sempre importante conversar com seu ginecologista, porque, por exemplo, no caso do coletor menstrual, existem diversos tamanhos, modelos e texturas, e a escolha irá depender do tamanho da vagina, se a mulher é ou não nulípara, etc. O mais importante é o cuidado com a higiene desses coletores e com o intervalo de trocas. Ele precisa ser fervido antes e depois de cada ciclo. Tanto os coletores quanto a calcinha menstrual são de uso pessoal, jamais devem ser utilizados por mais de uma pessoa, devido ao risco de contaminação e transmissão de doenças”, ilustra Cátia.

Os coletores menstruais têm como principais vantagens a necessidade menor de trocas em relação ao absorvente descartável, menos vazamentos, menos risco da síndrome do choque tóxico, além dos benefícios para o meio ambiente. Ele pode ser trocado em até, no máximo, 12h de uso contínuo, dependendo da intensidade de cada fluxo, e pode ser lavado durante o banho ou na pia do banheiro com água limpa. Além disso, ele pode ser usado por jovens e mulheres de todas as idades.

“O coletor não é indicado para mulheres no pós-parto e que estejam com infecção urinária ou candidíase. Caso esteja realizando algum tratamento ginecológico, é recomendado que converse com o médico antes de usá-lo. Inclusive meninas virgens podem fazer uso de coletores. A virgindade está ligada apenas ao fato de a pessoa não ter tido relações, o hímen é uma questão muito fisiológica. Algumas pacientes que nunca tiveram relações sexuais já têm o hímen roto, pois ele é uma membrana muito fina, que pode se romper facilmente”, relata Dra. Daniele Fiuza.

Coletores menstruais são reutilizáveis e têm uma durabilidade muito grande, em torno de dez anos. Pelo fato de o sangue não entrar em contato com o ar, os odores desconfortáveis do período menstrual não são sentidos. Além disso, é uma ótima oportunidade de a mulher conhecer o próprio corpo.

A servidora pública Joana de Souza, 29 anos, optou pelo coletor menstrual há um ano e já conseguiu convencer outras mulheres a se tornarem adeptas do copinho graças à sua experiência positiva.

“O mais importante nessa experiência para mim foi ter um contato diferente com minha menstruação e com meu corpo. Agora me conheço melhor, pois observo mais sobre a minha anatomia e consigo saber exatamente como está meu fluxo. Tudo isso se reflete em mais autocuidado”, finaliza.

Posts Em Destaque
Posts Recentes